sábado, 3 de dezembro de 2016

LABIRINTO


LABIRINTO

Num labirinto de víboras de todos os tamanhos
Escrevo que o labirinto me mata lentamente
E que quando me lerem adocem-me a esperança
Deste sobressalto dentro de mim como um arrepio
Ou desenganado, indiferente de rastos como uma pobre
Coitadinha louca de pensamentos dispersos ao vento
Nesta deriva entre os grilhões ou talvez atalhos de mim
Renasço desenhando os meus próprios passos na solidão
Já não sou o que fui, já fugi do meu caminho tantas vezes
Sou apenas uma mulher que resvala desfalecida na alma
Carnificina das palavras num momento que mente em silêncio
Olho o espelho sem me ver arrasto-me na lama do inferno
Encantamento da mentira adocicada prisioneira da minha mente
Circunscrita por uma luz de grades frias, de feridas profundas
Lambo a ferida invisível das palavras mordidas, sussurradas
Fervilha o sangue das letras esquecidas de sentimentos
No faminto delírio dos sinos da igreja entre o labirinto cruel
Deste mundo míope desinspirado desprovido de sentimentos
De aspirações traídas pelas falências da própria humanidade
A desordem a injustiça imanente é feita de moribundos
Gente sem escrúpulos, nada sentem encurralados no seu labirinto.

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Isabel Morais Ribeiro Fonseca