segunda-feira, 27 de julho de 2015

Ó ARVORE


Ó ARVORE

- Ó grito que rasgas de dor o ventre
Nas masmorras das trevas subterrâneas

- Ó trovão que ecoas o infinito
No sangue dos inocentes humilhados

- Ó abutre insaciável mercenário
Cheio de ódio, de hipocrisia

- Ó cavaleiro de espada de ferro
Exterminador da mentira

- Ó muro de arame farpado nas árvores
De poderosos ramos do universo

- Ó labirinto escondido de pedras entre ervas
Que esvoaçam folhas já de papel

- Ó galhos que sufocam a luz
Que criam raízes sem brotar esperança

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 15 de julho de 2015

NEGRAS VESTES


NEGRAS VESTES

Oh voz poeta dos meus versos
Palavras mortas em letras já nossas
Na troca dum piscar dos teus olhos
Oh dor que rasgas as vestes negras

Oh dor cruel, da minha pobre alma
Beijas-me enquanto brotas sangue
Noites nas lágrimas, no meu lençol
Oh mágoa perdida nas negras vestes

Oh dor que teces um fio num rio
Caminhos sombrios, rumo ao mar
Que nasce do teu talvez desengano
Dores soltas no espaço sem tempo.

Oh noite, que vestes já de negro
Os meus versos de letras mortas
Poesia no dilema feita em prosas
Na troca do sim, pelo talvez não
Onde rasgas as já negras vestes.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca



quarta-feira, 8 de julho de 2015

FRASE- PARTIR


Um dia partirei para longe deste mundo sozinha
Mas pretendo deixar um pouco de mim no teu ar
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca



sexta-feira, 3 de julho de 2015

PASSADO PRESENTE

PASSADO PRESENTE

Agora as minhas horas evocam o silêncio
De amar tanto nas memórias do passado
Erva de coentros, semente de mostarda
A minha alma guarda as lágrimas que secaram
Nas varas da canela ou no cravo da índia
O meu coração, já não está ou sente-se magoado
No sabor entre o alho, gengibre ou malagueta
São agora apenas lembranças levadas pela água
Que corre nas margens das raízes dos choupos
Folhas velhas da vida amareladas pela chuva
Soltas pelo vento, da erva-doce e da canela
São folhas de louro à deriva, no bacalhau no forno
Levadas ao sabor da ventania. arrastadas na noz mostarda
Esquecidas, lembradas no paladar do tempo
Manjericão num navio naufragado, talvez já sem glória
Raminho de alecrim para alegrar os nossos momentos
Como gosto do queijo de cabra, é forte como os teus braços
Evoco o silêncio de amar-te tanto nas memórias do presente.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca