terça-feira, 26 de julho de 2016

ORIGINAL PINTURA




ORIGINAL PINTURA

Escrevo um poema no teu corpo
Sem que fosse uma original pintura
Mas não sou pintor, nem muito menos
Um desenhador, sou alguém que amas
Que tenta escrever um verso no teu corpo
Sem que fosse tatuado, afinal não sou tatuador
Falta-me as tintas de cores ou as agulhas
Mas se eu soubesse ler, tentava ler
O teu corpo na tua bela nudez
Esse dialeto falado dos teus abraços
Ou ainda o alfabeto do calor que exalas
Nas letras soltas escondidas na tua pele
Escritas numa folha qualquer ou não
Dos beijos molhados como cada página
Onde folheio o teu corpo como um livro teu
Com letras minhas agarradas à minha pele
Como é bom ler-te alto nos gemidos do nosso quarto
Ser a mãe de todos os teus filhos pintados no meu peito.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca



domingo, 17 de julho de 2016

SIM EU SEI

SIM EU SEI

Morro de ti
Por ti, amor
Do insuportável
Que sou sem ti
Morro de amor de ti
Com a urgência
Da minha pele
Que sente de ti
Morro de ti
Por ti, amor
Com a urgência
Do sabor da tua pele
Que sinto em mim.
Morro em mim de ti.

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Isabel Morais Ribeiro Fonseca



quinta-feira, 7 de julho de 2016

A CARTA

A CARTA

Esta é a carta que eu nunca te escrevi
Que nunca te enviei, que nunca vais ler
Mesmo assim eu vou tentar escrevê-la
Escrevo o que nunca te disse e ouviste
O que está guardado, escondido em mim
O que me sufoca, preciso libertar-me
Porque não tenho coragem de olhar-te
Nos olhos, talvez seja covardia minha
Sofro destas malditas insónias que me
Levam de volta à minha loucura, tempo
Em que te deixo sozinho no meio da noite
Talvez seja preguiça ou cansaço ou nada
Sei que te rejeito, que fujo de ti eu sei
Que sim, noites, dias de amor perdidas
Onde os meus olhos inundam-se de lágrimas
Gotas de remorsos, que escorrem na face


Mas a verdade é que eu quero fazer amor
Contigo, ter-te sempre junto ao meu peito
Mas esta louca loucura, que, é só minha
Mata-me, tantas vezes, desculpa esta parte
Doente de mim que sente a falta de ti
Dos teus braços entrelaçados no meu corpo
Da tua mão quente a acariciar-me o rosto
Da tua voz a falar baixinho no meu ouvido
Da tua boca que beija a fogueira dos meus seios
Tantas, tantas vezes pensei em escrever-te
Para contar-te o que sinto, acabo por desistir
Só eu sei as saudades que tenho tuas
A falta que me fazes é insuportável, dolorosa
Escrevo na carta que tenho falta de ti em mim.

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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sexta-feira, 1 de julho de 2016

REVOLTOS E TRISTES

REVOLTOS E TRISTES

Hoje acordei com aquela sensação
De impotência, pânico incontrolável
Li algures uma forte e dura frase
(Quando te lavares por baixo pensa em mim)
Que ficou na minha memória, de alguém
Mais fodido que eu, nesta maldita, bendita vida
Frase forte como uma tempestade, onde
As minhas vísceras, parecem saltar para fora
Como se fossem estranhas ao meu corpo
Que as alberga nesta minha dura curta vida
Não quero ficar sozinha, muito menos escondida
Sou um furacão no meio da própria tempestade
Onde levo tudo a minha frente neste meu mar
Revolto de um ser imperfeito, com defeitos
Na imensidão do infinito ou do abismo
Já sabemos que solidão leva-nos para as águas
Intermináveis de mares, revoltos e tristes.╭✿

Isabel Morais Ribeiro Fonseca