segunda-feira, 31 de outubro de 2016

FINADOS

FINADOS

Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério não te esqueças
Não há espera, não há regresso
Não há prendas, não há esquinas
Onde se pode jogar às escondidas
Olha o espelho, olha as flores
Olha os narcisos brancos, que belos
Olha a tarde que cai, aqui à noite ╰❁╮
Aqui me esqueço, mas tu procura
Entre todas as sepulturas, a minha talvez
Ajoelha-te e reza uma bela oração
Fica, escuta a erva a crescer onde pisas
As lágrimas do que resta de mim nesta vida
É a amargura do que eu já sofri
No caminho das sombras em almas nuas
Onde o sol deteve os pontos de luz
Do meu duro coração, insanidade no espaço
Vazio, pois nada quero, nada espero, à muito
Tempo de um calvário em verdade estou aqui
Talvez numa longa quimera ou uma utopia
Pois não me recordo do meu corpo, nem de mim
Rodos desenham o destino da nossa loucura
Afinal amanhã que é dia dos mortos, de finados
Vai ao cemitério por favor, não te esqueças. ╰❁╮

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

PINGOS DE CHUVA


PINGOS DE CHUVA
❤╰⊱♥⊱╮❤

Procura-me na pacatez do pensamento
Procura-me no silêncio do parque
Procura-me na poesia mais simples
Procura-me quando mais te convir
Procura-me no aroma das flores
Procura-me no canto das baleias
Procura-me na liberdade dos golfinhos
Procura-me na chuva de verão
Procura-me nos pingos que molham a terra
Procura-me na verdura do jardim
Procura-me no olfato que piso
Procura-me nas árvores entre as folhas
Procura-me no fundo do pomar
Procura-me no deserto da minha alma
Procura-me na noturna sombra de mim
Procura-me na noite entre as estrelas
Procura-me nas ondas do meu amado mar
Procura-me na nudez da minha alma
Procura-me na pedra do sono
Procura-me no canto da cotovia
Procura-me nas margens do rio Sabor
Procura-me no rosário de um belo cristal.

❤╰⊱♥⊱╮❤

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

 


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

DESPEDIDA


DESPEDIDA

Em cada despedida há um adeus
Na incerteza de um novo encontro
Da ansiedade que suspende-se na alma
Morremos, rezamos, rogamos, suplicamos
Amamos a esperança que é eterna
Imploramos ao tempo que a saudade
Nos cure deste maldito tormento
Imploro-lhe a paz que as ausências
Sequestram os nossos desencontros
Que da vida afasta-nos por mera abstração
Da mente doente que envolve as emoções
Talvez com o vinho entre as ruínas
Que habitam estas quatro paredes
Embalsamemos com as pinceladas de cores
Num duelo na sombra explorando a noite
Em cada despedida em cada adeus.

❤╰⊱♥⊱╮❤

Isabel Morais Ribeiro Fonseca





sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O ÚLTIMO TERÇO

O ÚLTIMO TERÇO

Ela morreu, morreu sufocada
Pelas palavras que ouvia
Entre o corredor, entre a porta
Punhais nas costas espetados
De alguém que ela mal conhecia
Olha para dentro de si e tenta perceber
Que mal terá ela feito para tanta maldade
Vindo de alguém que mal conhece
Será ilusão ou desilusão, fica a mágoa
Junta coragem para continuar, seca o rosto
Levanta a cabeça, sente a sua alma maltratada
O coração vazio, triste, sofrido
Reza talvez o último terço com fé nas horas
Horas enrugadas no fim de uma tarde
Ouve de longe o eco das duras palavras
Ela sente um gemido sofrido e repetido
Sente sobre si todas as sombras da guilhotina
Dos olhos que espiam a sua dor na escuridão
Dos enredos de todas as feras devoradoras
Predadoras de pessoas inocentes que só querem
Fazer o seu trabalho o melhor que sabem
Ela hoje reza o último terço e morreu triste de tanta
Maldade que há no seu local de trabalho.╰❁╮╰❁╮

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sábado, 8 de outubro de 2016

ENTRE A SERRA

 
 
ENTRE A SERRA

Encontro um silêncio
Incompleto numa fraga
De musgo de tantas saídas
Sobre os labirintos no trilho
Ausência que se exibe solitária
Adormece num corpo exposto
Veredas no caminhando de fragas
Escorregadias na serra, peregrino
Sem conseguir ver o mundo a mover
Compasso firme deste caminho 。.:*♡
Estreito da serra diante de mim sozinha
Há um vínculo que me prende nesta subida
Que tento ser neste combate uma vencedora
Mas não é pela morte que tanto me persiste.

。.:*♡。.:*♡。.:*♡。.:*♡

Isabel Morais Ribeiro Fonseca