segunda-feira, 30 de novembro de 2015

AMO-TE NOS SABORES

AMO-TE NOS SABORES

Amo-te .....
No risoto de farinheira
Ou nos peixinhos da horta
Olhando para os teus lábios
Anseio o seu salgado sabor
Amo-te....
No perú com frutos secos
Ou lombo de porco assado
Assim descubro o gosto do teu amor
Sem limites dos teus braços
Amo-te.....
No arroz de pato
Ou no camarão frito com molho de côco
Quero os teus lábios junto aos meus
Para sentir o doce sabor dos teus
Amo-te.....
Nas farófias com banana
Ou na tarte de creme de amêndoa
Quero a suavidade do teu corpo
Na intensidade do meu, teu desejo
 

 

Amo-te.......
Nas pescadinhas douradas e amejõas
Quero os teus lábios na entrega das noites de velúpia
Amo-te.......
No pão de ló de Ovar ou pudim de pão com maçã
Quero os teus lábios com gotas de amor
De muito sabor sedutor
Amo-te.......
No cabrito assado com cebolinho e alecrim
O sabor dos teus lábios deixa a saliva
Doce de alegrias maduras
 


Amo-te.......
No bolo de canela e erva doce
Ou no molotof de limão
Quero sentir o teu toque no meu corpo
Da tua maneira louca
Amo-te.........
No risoto com queijo brie cogumelos e legumes
Quero viajar nos teus lábios sentir o teu doce sabor
Amo-te........
Na torta de Laranja ou no bolo de fécula de batata
Quero provar do teu abraço e fazer-te o meu esplendor
Amo-te..........
Na açorda de marisco ou nos choquinhos à algarvia
O teu corpo incendeia o meu ser, arde no sabor dos teus lábios.
Amo-te e depois.......gosto de ti mais nada.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca





sexta-feira, 20 de novembro de 2015

POEMAS CATIVOS DE ALECRIM E LAVANDA

POEMAS CATIVOS DE ALECRIM E LAVANDA

O tempo do tempo é consumido como ar
Na rotina do seu amargo arrependimento
No arrasto do vento, no tempo da luz
Pragmática de um beijo, morre sem nada dizer
De uma história, sem prosa, sem verso
Num único versículo, entre o perfume das rosas
Talvez o silêncio esconda, poemas sofridos de amores
Sem sentido das palavras que alguém roubou
Sem reconhecer o culpado no próprio esquecimento
Perderam a fé na abandonada mente, no condenado corpo
Telhados de inverno cheios de quimera de um amor proibido
Morto no esquecimento de uma alma, esquecida dando dor a tristeza
Nas horas, nos minutos, de sussurros cativos da solidão
Que existe uma prosa lírica em cada sílaba em cada palavra
Liga ao coração como uma oração de esperança
De louvor ao amor num aroma fresco de alecrim e lavanda
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

GUARDADOR DE SONHOS

GUARDADOR DE SONHOS

Estou cansada de agradar de aceitar de negar
Já chorei no deserto para repousar os olhos
Lágrimas caídas no arenoso já seco terreno
Em novelos de lá deitei os brancos cabelos
Abri o corpo nas searas quentes perdidas
Adormeci a sombra nos ramos dos chuopos
Acordei sacudida de gotículas da leve chuva
Molhei a minha alma nos frescos orvalhos
Ardi no forno de lenha entre a fornalha de pão
Recolhi-me nas asas das pétalas de rosas
Quantas vezes quis eu dormir ao relento
Nas planícies estreladas abertas as noites frias
Para aquecer um grito neste nascer do sol
Ler as linhas do teu corpo como se de um mapa
Se tratasse num gesto aflito de desejos já lidos no vento
Estou cansada não é da idade, e de perder-me no tempo
Só quero o teu invisível guardador dos meus sonhos.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

terça-feira, 3 de novembro de 2015

ASAS DE PENAS

ASAS DE PENAS

Asas de anjos vestidos de negro
Vida feroz de escolhas insanas
Trovoadas de desejo nas trevas
Grito sem voz desespero no peito
Silencioso eco no precipício rochoso
Desespero da espera sem chegada
Na chuva que chora a hostil trovoada
Perde-se o pecado no paraíso enlameado
Despe o nu do teu nu corpo sem esconder
No porão no fundo escondido está o grito
Perdidas sem luz estão as amarras da dor
Sufoquei todas as lembranças do desespero
Prendi o meu corpo matei perdoei a mágoa
Labirinto de teias, vida esquecida no caminho
Suave espelho envelhecido sem brilho no olhar
Reflexo dos anos rugas vividas do nosso rosto
Asas de penas perdidas de anjos vestidas de negro.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca