quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

É A SOLIDÃO


É A SOLIDÃO

A solidão é ouvir o ranger dos dentes
No próprio sangue entre a carne crua
É ouvir o som quente a correr nas veias

A solidão é sentir o vento no rosto
O seu perfume no ar acariciar a pele
Como se o ópio penetra-se no corpo

A solidão é sentir a carne já devoluta
Num deserto sem pudor, rasgar a pele
Sem, sem nome, sem carne, sem sangue

É a solidão que toma emprestado o corpo.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

ÁGUAS TÉPIDAS

ÁGUAS TÉPIDAS

Nas tépidas águas onde nasce a canção
Vozes roucas de névoas em segredo

Terra seca que espera um só degredo
No sono, sonho ciprestes já impostos


 Desperta aquilo que em si já se preste
Espanto castigado de mágoa endecha

Queixa de um silêncio em letras tardias
Dias, noites de tardes noturnas sem fim


Ilibado esquecido utopia do desesperado
Néscio sem porto no horto já esquecido

Desconforto desvão de ilusão na quimera
Sombra que espanta a dor que se embala

 Noite espessa, espasmo que bate no vento
Aquilhado que passa, rompe o forte embate

No cravo de uma canção feitas pelas ondas
Do mar de vozes roucas, empatia assassina



domingo, 20 de dezembro de 2015

ERGÁSTULO


ERGÁSTULO

Ergástulo sombra, desta escura vida
Uma prisão solitária, onde nada mais
Posso, fazer se não chorar, chorar e
Nas lágrimas vertidas peço o perdão

De todos aqueles que em vida, não pude
Mas que também nunca quis, quis amar
Ó rude este caminho de fragas no monte
Que levam as águas turbulentas para o mar

Calabouço na alma presa entre as grades
Liberdade mortal para um pobre imortal
Rasga a carne entre os grilhões de mudos
Dentes, almas presas, abandonada prisão

Masmorra fria, labirinto perdido de sombras
Carcereiro de rosto atroz, silêncios solitários
Aprisionando amordaçado de correntes no chão
Cárcere de amargura, chave na imensa solidão

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


domingo, 13 de dezembro de 2015

MENTE AGRESTE

MENTE AGRESTE

Serei uma sombra na penumbra
Do meu próprio sentir magoado
Espectro fugitivo da minha alma
Sadicamente me pune de solidão

Trevas que arrastam-me entre a lama
Na escuridão do meu corpo ferido
Destruidor de ilusões nos sonhos
Na louca loucura da demência já sã

Crepúsculo renegado que me castiga
Envenena o amor que sinto pela vida
Que dor é esta, que me afoga e mata
Atrozmente no agreste da minha mente.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

ANJO DE LETRAS

ANJO DE LETRAS

Deslizam das minhas mãos as palavras
De todas as cores os meus próprios silêncios
Do sol as letras que se escondem das sombras
Conto os dias, as noites na ponta dos meus dedos
Da nudez solta ao vento por intensos egos
Pinto a minha doce saudade em amargas lágrimas
No tempo que se esquece num corpo queimado
Entre as cicatrizes marcadas cheias de emoções
Nas papoilas entre os dedos de uma mera calçada
Só tu estás impregnado em mim, cheiro-te em mim
Sabes-me na saliva que te liberto só de te escrever
Tu és um anjo que velas por mim - fazes-me tua
No amor que fala em suaves pautas, na ternura
Em belas melodias, Entre o desejo em forma de canção
Toco na tu pele com as pontas dos dedos
Ancoro os meus lábios nos teus meu anjo de letras.

 Isabel Morais Ribeiro Fonseca



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ღڪےღڰۣ✿ ღڪےღڰۣ✿‎ Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ