domingo, 25 de fevereiro de 2018

PERCORRO AS AREIAS




PERCORRO AS AREIAS

Percorro as areias do deserto Flagelando no meu peito as dores Da minha alma, se tiver que sofrer, sofro É na demência que encontro a salvação Talvez a sanidade que tanto procuro Já não sei quem sou, que angústia Que sinto, que dor, que sofrer atroz Este, que me engole viva, meu Deus Que me enlouquece e me leva a chamar-te As areias secam-me a garganta Tolhendo-me a voz, que desespero Que inferno este onde a besta sacia A sua devoradora fome, comendo-me a carne Do meu corpo fatigado pelo deserto Ensombrando-me a alma já tão fatigada Que se encontra que aflição esta Que amarga me encontro, neste meu desepero Sinto esta dor que me rasga a alma Que me devora a mente, sinto enlouquecer Devagar como se o não ouvesse tempo Como se o meu corpo tivese parado no inferno Flagelando-me a carne, sem dó ou piedade.

🍬
Isabel Morais Ribeiro Fonseca




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

❀PERDI-ME DENTRO DE MIM 🍁


PERDI-ME DENTRO DE MIM


Perdi-me dentro de mim
Num labirinto de guilhotinas
Pelos caminhos já doentios
Nos corredores de roxidão
Onde as fragas resvalam
Em procissão de mordidos
Sentimentos, na revolta
Que sinto na alma entre
Os crepúsculos que sangram
O meu corpo doente, luto
Com a ferocidade do que sinto
Mas ferem-me os olhos de lágrimas
Num turbilhão de gumes afiados
Sangram-me os sentidos que desce
A minha pobre alma com pavor
Como se de uma droga se tratasse
Talvez o ópio do inferno
Ou ainda morfina para esquecer
As dores que sinto no corpo
Já que a alma chora de tão pura
Que se encontra, maldita droga
Esta que me faz andar nos calabouços
Do inferno onde me encontro
Grito mas o meu grito, ninguém o ouve
Perdi-me dentro de mim próprio
E agora quem me salva
Ou será que quero ser salvo, já não sei
Sei que sou alguém perdido num labirinto
De afiadas guilhotinas no inferno.
❀❀🍁❀❀🍁
🍁Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

VIDA 🍒🌺💖

VIDA

Que a vida
Seja sempre
De seda
Cetim
Chita
Chiffon
Algodão

Veludo
Não importa
A textura
Mas sim
Que seja
Feita de retalhos
De alegria
Com a felicidade em mim.
🍒🌺💖
Isabel Morais Ribeiro Fonseca


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

A LUZ


A LUZ

A luz cega-nos a mente
De tão perdidos que nos encontramos
Perdemos os sonhos sem tentar encontrá-los
Já sabemos que morreremos sozinhos
Mas caminhamos por entre as trevas
Pois até as sombras tem receio de nos acompanhar
Somos almas solitárias à procura da libertação
De tristes palavras contraditórias como o vento
Entre a nossa dor e a nossa própria solidão
O tempo é a ironia da vida que caminha lado a lado 
Andamos por entre as sombras com as lágrimas secas
Nos olhos, vemos o que não gostariamos de ver
No entanto cobiçamos caminhos sem luz, sem esperança
Esta é a triste realidade que nos consome cada vez mais
E nos faz novamente andar nas sombras
Pobres mortais que somos, carne podre, protefacta
Sem sonhos, sem verdade, sem amor, egoístas sem piedade.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca