domingo, 25 de fevereiro de 2018

PERCORRO AS AREIAS




PERCORRO AS AREIAS

Percorro as areias do deserto Flagelando no meu peito as dores Da minha alma, se tiver que sofrer, sofro É na demência que encontro a salvação Talvez a sanidade que tanto procuro Já não sei quem sou, que angústia Que sinto, que dor, que sofrer atroz Este, que me engole viva, meu Deus Que me enlouquece e me leva a chamar-te As areias secam-me a garganta Tolhendo-me a voz, que desespero Que inferno este onde a besta sacia A sua devoradora fome, comendo-me a carne Do meu corpo fatigado pelo deserto Ensombrando-me a alma já tão fatigada Que se encontra que aflição esta Que amarga me encontro, neste meu desepero Sinto esta dor que me rasga a alma Que me devora a mente, sinto enlouquecer Devagar como se o não ouvesse tempo Como se o meu corpo tivese parado no inferno Flagelando-me a carne, sem dó ou piedade.

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Isabel Morais Ribeiro Fonseca