quinta-feira, 23 de outubro de 2014

"CONTEMPLAÇÃO"



"CONTEMPLAÇÃO"

Escuto as notas do silêncio
Onde morre um verso numa estrada de alcatrão
Poema vazio desamparado no chão
Escrito numa folha tantas vezes ignorada
Escrevo simplesmente pelo prazer que me confere a escrita
Não para tu gostares, mas se gostares melhor ainda
O gosto de sentir a areia quente deste outono
Toca a minha alma fria no verão passado
Caminho de um destino já tantas vezes adormecido
Sinto no corpo uma dor talvez esquecida
Árvore no outono sem folhas despida de pranto
Onde quero celebrar as rugas do meu rosto.
Amar-te com o tremor das minhas mãos
Beijar a tua boca com os meus lábios calejados
Contemplar-te com emoção e serenidade...
Que repousa no meu peito
Neste tapete de outono
Onde a solidão nos abriga ao seu íntimo sonho
Escuto as notas do silêncio
Lidas e escritas numa folha em branco tantas vezes ignorada!
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca


terça-feira, 21 de outubro de 2014

“DESTE-ME”

“DESTE-ME”

Deste-me cada nascer do sol
Deste-me os teus lábios de sal
O sal de uma lágrima das ondas do mar
De um barco que não sabe naufragar
Sentei-me nos braços da noite
Como os ventos na madrugada
Os murmúrios do silêncio, da voz desta esperança
Rezo e peço ainda que calada eu encontre-me
Embalo a dor e rasgo a estrada fria
Apago a luz do sol que me cega
Apago os vestígios das minhas lágrimas
Peço, rogo, imploro e prometo para
Que os meus olhos saíam da escuridão
De mais uma tempestade de pensamentos
Neste grito do vento e da chuva
Perco-me de mim no tempo.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

"PRÓPRIO"

"PRÓPRIO"

Queimamos os papeis
Deixamos nas paredes musgo
Em cinzas rezamos a Deus as nossas dores
Carregamos as horas que já deixaram de ser nossas
Palavras estreitas e fortes do mundo
A noite mordia no escuro
Enchia de pedras as sombras queimadas
Ouvia o silencio de olhos abertos
Sem um rastro de esperança
Mortalha umbilical, presença de mim próprio
Rezei, implorei, no final esqueci o porquê?
A carne que roí-se a si mesmo lentamente
Um canto, um pranto escondidas do vento
Onde mordeu os beiços da nossa própria dor
Soluços que perfazem anjos de carne
Filhos que vergam, sujos de sangue que não o nosso
Impenitente fogo queimado, como sujo dos lobos
Na miseras noites engavetadas de um túmulo de ventos apertados
Rotas cartográficas da serra descendo o rio, até aos eucaliptos
Queimamos e rasgamos os papeis que escrevemos
Onde só deixamos cinzas no corpo, tantas vezes na nossa própria alma!

 Isabel Morais Ribeiro Fonseca




sexta-feira, 10 de outubro de 2014

"SEGUNDO"

"SEGUNDO"

Preciso de um segundo, um minuto
Porque tudo em ti, é exatamente
O que mais falta em mim..
Amo-te como da primeira vez
Preciso só de um segundo para te abraçar
Para aquecer-me no teu corpo
Entrelaçar a minha alma em ti.
Para que a nossa vida possa ser completa
Olha para mim meu amor, peço-te
Para encontrares dentro dos meus olhos
Todos os meus sentimentos
Tu és a parte que falta no meu no meu coração
És o meu sonho que tornou-se realidade
Tu inspiras-me, alegras-me, aqueces a minha alma
Dás-me paz...a paz que tanto preciso
Para que juntos possamos vencer todos os obstáculos
Todos os medos, todas as perdas
Todas as crises e todos os traumas
Afinal eu preciso de tudo.
De tudo em ti, o que mais falta em mim..
Meu querido amor.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

"REGAÇO MEU"

"REGAÇO MEU"

Meu corpo é um poema sem palavras
A minha alma escuta o meu silêncio
As lágrimas inundam o meu regaço.
Rezo o rosário da dor da minha alma
Onde silenciosa sepultei os meus poemas
Gosto quando me olhas com os teus sentidos
Tocas-me com os teus pensamentos
E beijas-me com o teu silêncio
Tango de uma alma traída quando a afastam
Um mergulho no tempo
Feito num momento de um lamento
Um sofrimento num cansaço
Pranto de um desejo, de um abraço
O grito silencioso de uma lágrima reprimida
De uma dor aprisionada
Onde a poesia é a minha companheira
Das madrugadas mal dormidas
A solidão sempre foi meu caminho
Onde sigo a rota do vento
E atravesso a tempestade
Agora enxugo minhas lágrimas cheias de saudades.
De tristeza entregue a uma dor intensa
Onde só queria uma pausa para poder colher a lua.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca