domingo, 29 de junho de 2014

CHORA OU CHUVA

 CHORA OU CHUVA

Não sei porque choras.
Choras ou chove.
De um tempo tão distante.
Passado errante.
Tristeza por definir.
Recordação que me faz sentir.
Lembro, recordo
De tantas, tantas coisas
Que foram, ou não foram
Chuva ou choro
Porque, porque tive tanto medo.
Resta o infortúnio
Infortúnio do que não foi.
Talvez seja, por medo do que podia ser.
Será tudo tempo, tempo
Como cada chuva tem o seu momento.
Momento, gotas soltas, caídas no chão.
Será chuva ou choro.
Será, do tempo distante
Passado, presente
Por medo do tempo.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quinta-feira, 26 de junho de 2014

"UM PARA O OUTRO"

 "UM PARA O OUTRO"

Nascemos um para o outro
Um palácio de um reino de quimeras
Como o outono ri da primavera
Feitos de barro....ou argila
Corpos pagãos na carne e talvez na alma
Eu sou teu ......e tu és meu
O nosso amor é um mundo, de castelos, de quimeras
Onde não deixamos crescer as heras
Beijamos as pedras do nosso pranto.
Florimos.......o nosso jardim
E no meu ventre nasceriam deuses
Onde a vida é um contínuo
Encantamento de sonhos que tombam
Destroem de uma louca derrocada.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 18 de junho de 2014

"METADE UM DO OUTRO"

 "METADE UM DO OUTRO"

Somos metade um do outro
Não vivemos um sem o outro
Tu sabes tudo da minha vida, da minha alma
Da minha solidão, sou transparente
Não consigo esconder nada de ti
Tu vês a minha aura quando estou no escuro.
Na minha própria escuridão
Fechada nos meus pensamentos, no meu mundo
Tu vives no meu pensamento constantemente
E nas mais variadas formas.
Quando me fecho na minha solidão
Eu falo contigo, são é palavras silenciosas.
Que me fazem bem falar no silencio em alguns
Momentos e circunstanciadas
A tua presença enche o meu vazio e eu encontro-te sempre
Sempre no eco dos meus passos.
Sigo os trilhos que um dia gravaste
O teu nome na minha alma, no meu corpo.
Procuro-te nos versos que escrevo, nos poemas
Na saudade, no amor.
O que sentimos um pelo outro, é uma ligação muito forte
Difícil de romper.
Neles encontro-te na doçura do perfume das rosas
Nas horas incertas.
Incertas em que perco-me de mim e perdendo-me,
Encontras-me e eu encontro-te.
Estás comigo no por do sol, da manhã que nasce
Na noite que adormece
Na primavera, no verão, no inverno, no outono
Na chuva, no frio, no calor
Na tempestade do mar onde lutamos.
Gritamos na areia com as ondas da saudade
Sentimos a revolta dos sentidos furiosos de uma paixão
A nossa, a nossa meu amor.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sábado, 14 de junho de 2014

"HISTÓRIA DE AMOR"

 "HISTÓRIA DE AMOR"

Vivemos uma história de amor
Onde os cães ladram e a caravana passa
Eu não gosto e nem preciso importar-me
Com o que os outros pensam a meu respeito
Nem de responder a quem ofende-me
Estranho este nosso desencontro, que acabou, sem começar.
As feridas embora estejam fechadas....cicatrizadas
Podem sangrar.....sem serem vistas.
O homem que eu amo é a parte
A parte de mim mais bonita e talvez a mais poética.
Embriagou-me com o seu beijo
Com um vinho doce numa taça alegre e deslumbrante.
Tentado imaginar tantos segredos
Tantos sussurros na madrugada quente, como o nosso coração.
Senti a maciez dos teus dedos na minha pele, pele arrepiada
Cheia de desejo nesta manhã.
Orvalhada de esperança, de sonhos simples, de brincadeiras
Somos um casal bem apaixonado.
Sempre abraçados, agarrados à loucura
No nosso, só nosso quarto feito de sonhos e fantasias.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

"MARGENS"

 "MARGENS"

Navego pelas margens
Pelas margens da memória
Sinto-me perdida
Por favor, não me deixem só...sozinha
Nos momentos de solidão
Onde rasgo as águas do tempo
Como as gaivotas...no horizonte
Carregando toda a tristeza deste mundo
O silêncio faz-se tão doce
Que o mar solta-se nos nossos olhos
Adormecendo a dor do coração
As estrelas despertam a solidão
Amor abraça-me
Abraça-me para sentir a emoção
Neste mar de águas profundas
Como um barco à deriva
Cheio de saudade que maltrata
Maltrata esta dor agarrada ao corpo
Que veste de negro esta ingrata alma
Poesia triste, feita em poemas
Na multidão, desta minha triste solidão.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 11 de junho de 2014

"TERNURA INFINITA"

"TERNURA INFINITA"

Com medo de adormecer
Ou talvez acordar.
Parti de mim para me salvar.
Deixei para trás as janelas abertas.
Dentro da ternura de um voo.
Do teu deserto percorro um tempo.
Um tempo feito de um relógio.
De um abraço infinito
De um amor…de um olhar
Onde brota o sentimento.
Sentimento que invade a alma.
Contemplando o desejo de perder-me num sonho.
A essência que aquece o coração.
Escuto a música com a chegada das ondas.
Misterioso afeto que mantém-me viva
Com medo de adormecer...ou talvez acordar
Parti à tua procura, numa noite fria e escura
Deixando as janelas abertas para tu entrares.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quinta-feira, 5 de junho de 2014

SOU TRISTE

Sou triste
Talvez nostálgica
Já fui muito alegre
Se alguém lesse tudo
Que escrevo por aí...
Diriam que coração triste!
Que sofrimento é esse?
Se alguém lesse tudo
Que escrevo por aí...
Diriam o que é que a vida lhe fez?
Para tanta amargura!
Se alguém lesse tudo
Que escrevo por aí
Em guardanapos
Em toalhas de papel
Que deito fora no lixo
Do café...
Ficariam a pensar, coitada.
Ou é louca, ou está perdida
Se alguém lesse tudo
Que escrevo por aí
Ficariam a saber como a minha alma
Está despida e nua!
Se alguém lesse tudo
Que escrevo por aí...
Talvez alguém me conhecesse...
Só um pouco, um pouquinho mais de mim.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

segunda-feira, 2 de junho de 2014

EMBALAR A DOR

EMBALAR A DOR

Observo a chuva miudinha.
Que escorre, cai dos meus olhos.
Lágrimas de dor, de alegria, de amor.
As gotas tecem as palavras
Que a minha alma sente.
Tecem e sente espontaneamente.
Embalo as letras, embalo as palavras.
Embalo a minha dor
Tentando compor versos ou talvez poemas.
Poemas tantas vezes ausentes de mim.
Ausentes do meu corpo
Palavras onde resmungam na minha boca.
Há dias que as palavras escorrem.
Escorrem para o papel.
Escritas num telhado de telhas de barro
Escrita de sonhos em forma de rimas.
Tantas vezes a inspiração adormece.
Adormecemos num sono leve.
E as letras descansam no papel.
Talvez queiram ser apenas observadas.
Ou apreciadas no pensamento, do nosso silêncio.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca