ACHADOS PERDIDOS

- Arte de assombro na pena perdida
- Palavras de afeição no sentimento das letras
- Vomita escárnio negro, engole o orgulho
- Espanto sem desgosto, prostra-se a alma de joelhos
- Nas palavras já sentidas que esmiúçam as vestes negras
- Vazias de lágrimas, deixadas no lençol branco de linho
- Embriagadas de ternura nos desejos que atormentam o leito
- Bendiz com piedosas mentiras, que falam do nosso vinho
- De espasmos entre as preces, sonhos que vagueiam por labirintos
- Entre os achados, perdidos nos dias escuros que dão o nó no mar
- Arte de palavras afeição nas letras, escritas que vomitam escárnio
- Coração estremece vestido de letras, no forte chamamento eu sinto.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca