quarta-feira, 30 de setembro de 2015

FOLHA EM BRANCA

FOLHA EM BRANCA

Rabisquei as palavras
Cobertas de tanta dor
Numa folha branca vazia
Onde abusei das letras
Num pedaço de papel velho
Escrevi desabafos de mim
Despidos de amor
Perdi-me na estrada
A tua procura
Desesperei quase morri
Reneguei-me
E afastei-te de mim
Agora guardo dentro de mim
Todas as dores, todos os gritos
Rasgados no silêncio da madrugada
Que dilacera por dentro o peito a alma.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

terça-feira, 22 de setembro de 2015

FRASE-LÁBIOS


Os teus doces lábios
 
               - Fascinam-me
 
(...) E convidam-me ao pecado.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca


 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

COMO CARNE CRUA

COMO CARNE CRUA

Andas ancorado à minha cintura
Como um barco que se apega ao mar
Eu velejo como que se o silêncio
Me dissesse tudo o que sei
Vivi entre as ansiedades mais profundas
Na sede intensa, de um suor quente
Da fome súbita, consumida por luas
Devasto os sentidos através dos dedos
Segurando a cruz do teu amado corpo
Velejo nas sombras da nudez do oceano
Como carne crua onde nos amarrámos
A nós mesmos, no convés do nosso navio
Entre a escravidão do nosso salgado beijo
Somos fome, somos desejo, cegos de nós
Com a verdade nos olhos de quem vê com fé.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

DESENCONTRO DE TI EM MIM

DESENCONTRO DE TI EM MIM

No desalinhar das nossas emoções de toda a alucinação
Espera do pensamento que cruza o horizonte da serenidade
Voo da saudade, calam-se os lábios com desejo do corpo
Palavras escrevem-se no aconchego da nossa cumplicidade

A solidão alimenta-me, dá-me força, para fugir de mim mesma
Quem sabe, se, nos corredores da minha insônia me abraça
Abraça-me na ausência das letras que alinho, nos versos que
Não consegues ler mais, donde regressas onde nunca partiste

Lua brilhante que és espreita no caminhar dos nossos espelhos
Talvez eco da minha nua ofegante respiração aroma perfumado
Perfume teu na solidão de cada vigília que faço de mim mesma
Sombra na inquietude das tuas mãos, no desdobrar do teu corpo

No calor aveludado do meu, onde guardo o som dos teus passos
Tenho asas posso me desprender por alguns minutos, quem sabe
Madrugada insone, onde o sentimento está longe dos teus braços
A poesia acalenta o coração do teu olhar, no ritmo das pálpebras

Murmúrio em silêncio, no rosto despido do meu malicioso olhar
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca