quarta-feira, 2 de setembro de 2015

DESENCONTRO DE TI EM MIM

DESENCONTRO DE TI EM MIM

No desalinhar das nossas emoções de toda a alucinação
Espera do pensamento que cruza o horizonte da serenidade
Voo da saudade, calam-se os lábios com desejo do corpo
Palavras escrevem-se no aconchego da nossa cumplicidade

A solidão alimenta-me, dá-me força, para fugir de mim mesma
Quem sabe, se, nos corredores da minha insônia me abraça
Abraça-me na ausência das letras que alinho, nos versos que
Não consegues ler mais, donde regressas onde nunca partiste

Lua brilhante que és espreita no caminhar dos nossos espelhos
Talvez eco da minha nua ofegante respiração aroma perfumado
Perfume teu na solidão de cada vigília que faço de mim mesma
Sombra na inquietude das tuas mãos, no desdobrar do teu corpo

No calor aveludado do meu, onde guardo o som dos teus passos
Tenho asas posso me desprender por alguns minutos, quem sabe
Madrugada insone, onde o sentimento está longe dos teus braços
A poesia acalenta o coração do teu olhar, no ritmo das pálpebras

Murmúrio em silêncio, no rosto despido do meu malicioso olhar
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca