segunda-feira, 31 de outubro de 2016

FINADOS

FINADOS

Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério não te esqueças
Não há espera, não há regresso
Não há prendas, não há esquinas
Onde se pode jogar às escondidas
Olha o espelho, olha as flores
Olha os narcisos brancos, que belos
Olha a tarde que cai, aqui à noite ╰❁╮
Aqui me esqueço, mas tu procura
Entre todas as sepulturas, a minha talvez
Ajoelha-te e reza uma bela oração
Fica, escuta a erva a crescer onde pisas
As lágrimas do que resta de mim nesta vida
É a amargura do que eu já sofri
No caminho das sombras em almas nuas
Onde o sol deteve os pontos de luz
Do meu duro coração, insanidade no espaço
Vazio, pois nada quero, nada espero, à muito
Tempo de um calvário em verdade estou aqui
Talvez numa longa quimera ou uma utopia
Pois não me recordo do meu corpo, nem de mim
Rodos desenham o destino da nossa loucura
Afinal amanhã que é dia dos mortos, de finados
Vai ao cemitério por favor, não te esqueças. ╰❁╮

Isabel Morais Ribeiro Fonseca