sexta-feira, 5 de maio de 2017

CHAGA

CHAGA

Gume da adaga que crava em mim
Nas memórias perdidas da carne
Que me fere o corpo já ferido
Queimando na fornalha do meu

Silêncio incerto que mantenho
Deste meu eloquente tormento
Quietude na alma já em virtude
Gravo em mim dor em memórias

Fornalha do olvido fatal da vida
Álgido de um punhal já ferido
Que transporto comigo no corpo
Ferido sem nenhum queixume



Morro, morro de novo sem orgulho
Destas dores que assolam a minha
Alma deste pecado que assumo
Quando a lamina da adaga mergulha

Neste meu corpo podre de tanta dor
Que sobre os meus ombros carrego
Uma cruz ou um prego enferrujado
Uma chaga de um simples desespero. 

Isabel Morais Ribeiro Fonseca