sábado, 12 de abril de 2014

ZELAI OH MORTE

ZELAI OH MORTE

Zelai-me oh morte, zelai por mim.
Alivia a minha dor
Amigo amado de cajado na mão
Abençoa-me em cada etapa...
Da minha caminhada.
Oh morte quanto te sinto até me dás medo
À beira da praia está o mar sereno
Nem ondas, nem uma aragem.
Onde o receio belisca-me
E o contratempo revolta-me.
Tentação diabólica, reboliço da mente
Agruras do ego, causas alheias
Invertendo o sentido, a condição da morte
Foice afiada de uma ladeira, talvez uma descida
Do sossego,  ainda cedo
Oh morte, vai-te maldita, vil, cruel, desprezível
Deixa-me não tornes a vir para atormentar-me
Velai-me oh morte
Zelai por mim, alivia-me a dor.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca