sábado, 19 de abril de 2014

DOR ESTRANHA E DOLOROSA

DOR ESTRANHA E DOLOROSA

Entranhas dolorosas
No ventre a caminho do mar
Penumbra da tarde, tarde fresca
Onde foge pelos dedos, dedos de uma mão
Calejada, dorida de um corpo exausto
Feita de ausências de rasgos na pele
Noites perdidas, quentes, cruéis, nostálgicas
Entranhas dolorosas, no ventre a caminho do mar
Sonhos de mágoas, escondidas no peito
Deixadas ao relento, onde a morte persegue
A todos aqueles que tentam fugir dela
Rasgam a carne é a tempestade
Sombras da noite, do sol, murmúrios de dor
Surdos em palavras, vozes antigas, réstias de neblina
Memórias rasgadas atiradas ao tempo, ao vento
Atravessadas por serras, onde os lobos escutam a dor e o lamento
Nas manhãs de orvalho, no pensamento, dos que partiram.
Sem levarem nada, nada além da roupa vestida imposta
Das saudades, das vozes, nostálgicas no silêncio de uma ave
Vindas, idas das voltas da penumbra da tarde fresca, fugida.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca