sábado, 10 de agosto de 2013

ALDEIA VAZIA

 ALDEIA VAZIA

Aldeia na margem do rio
A sombra dos choupos
Com a brisa suave
Sentei-me, era fresca a água
Olhei à volta, vi casas vazias
Ruas desertas, candeeiros escuros
Caminhos de pedra, fragas escorregadias.
Dos cemitérios escuros
Cheios de almas, que gritam de dor
Mal lembrados, mal amados
Esquecidos no tempo
Na saudade, na vida, na morte
Sem dignidade, sem esperança, sem nada
Onde tudo é mentira, tudo é verdade
Nada é certo a não ser a morte
Que espreita em cada rua, em cada caminho ou casa.

Os vivos que gritam, que choram de saudade
Lembranças perdidas, esquecidas
Das aldeia perdidas, caladas, sozinhas
Morcegos que voam na calada da noite
Igrejas sem gente, vazias sem alma
Escadas de fragas, frias, escuras.
Apanho as giestas e a lenha
Para acender a lareira, os troncos já ardem
Põe-se a panela de ferro na brasa
Ao lume coze-se as batatas, o feijão verde
A cebola, o tomate, o azeite e o sal
Frita-se o peixe do rio, e o almoço está pronto
Ou quase, falta a salada, com beldroegas
Tomate, alface sal , azeite
Um almoço simples, como a vida na aldeia.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca