domingo, 21 de maio de 2017

EXISTÊNCIA

EXISTÊNCIA

Sinto-me morto sem pertencer aqui
Envolto na seca terra sem existência
Com o corpo permanece coberto de pó
Incógnita verdade que cobre de medo
Perdido na mente como um fantasma
A saudade de viver atenua a ansiedade
Na procura agreste da própria demência
Carne despedaçada que a minha alma
Veste na sobeja aparência desequilibrada
Onde perdi o caminho de regresso a casa
Vagueando pelas labaredas do inferno
Na mente de quem é mais perverso que eu
Troquei sem dar-me conta que ali era o céu
No desespero das escassas memórias que tinha
Deixei a minha alma presa nas portas da razão
Como se tratasse de um sonho doloroso sentido
Olvido desta carne já apodrecida esquecida
Por tantas vozes que ouvia dizer lá em cima bem alto
Coitado ele até era uma boa pessoa, sem dúvida.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca