segunda-feira, 29 de junho de 2015

VESTES NEGRAS EM VERSOS

VESTES NEGRAS EM VERSOS


Oh voz da noite, poeta das negras vestes dos meus, teus versos
Palavras mortas desta poesia, no dilema feito em letras nossas
Na troca do sim pelo não, num piscar dos teus, dos meus olhos
Oh dor maldita, te saúdo, que rasgas as minhas vestes negras

Oh dor cruel, desenfreada da minha pobre alma, de riso aflito
Beijas-me com o gosto do sal, quando das veias brotas sangue
Pões as noites em dias na minha carne, lágrimas no meu lençol
Oh mágoa solta, perdida nas vestes negras, entre o dia e a noite.

Oh dor da minha alma, que teces um fio na nascente de um rio
Por caminhos já sombrios, deslizam sem parar rumo para o mar
Oh silêncio que nasce das dores do meu, do teu talvez desengano
Nos corpos murmurando as dores soltas no espaço sem tempo.

Oh voz da noite, que vestes já de negro todos os meus versos
Palavras, letras mortas, desta poesia no dilema feita em prosas
Na troca do sim pelo não, num piscar dos teus, dos meus olhos
Oh dor maldita, te saúdo, onde rasgas as minhas negras vestes.


Isabel Morais Ribeiro Fonseca