terça-feira, 19 de maio de 2015

NUM DIA DE INVERNO

NUM DIA DE INVERNO

Num dia de inverno soalheiro
Caminho pela praia que eu tanto gosto
Posso observar o sol e o vento
A brisa a acariciar-me o meu cabelo e a minha face
Brisa suave perfumada com cheiro a maresia
A areia massaja-me os pés
Vagueio pelos pensamentos, pelas memórias
De todos os momentos vividos
Hoje ao passear pela praia sinto-me só
Sozinha neste areal, neste mundo, vazio e triste
como se o meu coração estivesse secado de dor
Como se já não existisse sol, como se o mar estivesse seco.
Ando pela praia sem saber onde vai dar, perdida e esquecida.
Um caminho de solidão, no meio da tempestade de tristezas
De lágrimas, sonho acordado feito de gritos
Murmúrios....Lamentos, choros de dor
Feitas em carne viva que deixam, uma cicatriz na alma, no corpo
Como se eu chamasse a morte em vez da vida
Como se carregasse no peito, na mente
As mágoas, deceções, frustrações, desilusões
Fecha-se as portas as janelas, da vida
Para ninguém entrar, Um poço fundo escuro
Por mais que eu tente sair não consigo
Ler, escrever, rabiscar, publicar, é neste momento
A minha terapia para secar a dor que atormenta-me
Para colocar em ordem a minha mente
Que sinto que está em desordem.
Sim mostro o mais íntimo do meu ser
E muitas vezes sinto-me nua
Mas a quem o mostro primeiro é a mim mesma
Sim as minhas fraquezas
Mas também minha força a vontade,
De quando isto passar terei vontade de rir
Tenho consciência que não sou perfeita sou apenas
Um ser humano, com defeitos, manias e imperfeições
Que precisa de colocar as coisas cá dentro
Em ordem para melhor avançar
Começar a viver sem medo, sem dor.
Num dia frio soalheiro passeio pela praia
Que eu tanto gosto, seja de inverno ou verão
Onde molho os pés da minha solidão
                 ..............Da escuridão da minha alma

Isabel Morais Ribeiro Fonseca