segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

"TERNURA VINCADA"


Prenúncio de alva beleza
Talvez de adoração e prece
Olhei devagar para o espelho
Ele falou comigo em silêncio
Mostrou-me o tempo vivido
Vivido no meu rosto
Mostrou-me como eu mudei
Novos traços, novos vincos
Rugas que agora estão mais fortes
Por um instante não me reconheci
O meu próprio reflexo que ali mostrava
Penumbra vivem os reflexos de esperança
Na pausa da incerteza notei o meu olhar
Um pouco cansada da fúria do tempo
Do meu interior, quero um vestido de flores
Suave reticência deste cansaço
Que ainda existe o brilho de tantas coisas para ver
O meu olhar ainda está vivo
E não importa as lágrimas ou sorrisos eu dou de mim
Do outro lado do espelho existe tanto
Quando eu me imagino
Um mito de existência e de desencanto
Silencioso o meu destino
Foi o tempo do meu pensamento
Tempo que nunca será feroz e duro
Para eu deixar de ter esta importância comigo
Tempestade, vento indaguei a idade como solução
Veio o tempo dos meus olhos, da minha pele
Onde cada traço que tenho são apenas
A prova do que já vivi cheia de amor, de dor e esperança
Será que só eu vejo as mudanças do tempo no espelho, ou não!

Isabel Morais Ribeiro Fonseca