quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

ARCA DE UM CONTO


Arca de memórias....
Chegou o soldado da guerra
Onde tantos não tiveram a mesma sorte, ó minha mãe
O meu filho estás vivo, como rezei por ti meu amor
Meu anjo, pedi tanto a Deus que voltasses vivo.

Não estou vivo minha mãe, estou morto
Por dentro, podre e sem coração
Meu filho esquece a guerra, agora estas comigo
Em casa só isso é que interessa
Dá-me um beijo meu querido filho

Mãe tu não sabes em quem eu me tornei, um monstro
Não filho tu és sangue do meu sangue
Carne da minha carne
Não mãe matei homens, mulheres...
Não sou digno do teu amor minha mãe..

Filho já passou a guerra acabou....
E o que ficou para traz ficou,
Tens de recomeçar a tua vida ,
Casa meu filho com uma mulher
Que te ame mais ainda que eu
 E esquece tudo que vives-te filho
Enquanto aquele soldado contava a sua história

Passou uma velhinha de saia redonda preta ate aos pés ..
Olho para o chão e vejo agua correr e pensei que é isto .
E seguiu viagem...ela tinha feito xixi a nossa frente
O soldado ria a gargalhada da cara estúpida...
Que eu e o meu irmão fazíamos

Tinha 10-dez ou 11-onze anos na altura o soldado...
Já devia ter mais de 70-setenta
Tinha estado na primeira guerra mundial era um homem
Sofrido pelas memorias da guerra
Com quem eu e o meu irmão gostávamos de ouvir
Ele já faleceu seguiu o conselho da sua mãe
Foi feliz a sua maneira teve filhos netos e bisnetos
ganhou uma medalha pelos serviços feitos na guerra
Descansa em paz soldado da aldeia, perdida na serra.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca