segunda-feira, 19 de março de 2018

🌹ENQUANTO SANGRAM AS ROSAS💕


ENQUANTO 

Enquanto sangram as rosas
O meu corpo se deleita em ti 
Irás lamber os meus lábios
Como um louco ensandecido
Como se te tivesse pertencido
Toda a minha própria existência
Virás sufocar-te no meu corpo
Limpar todos os meus prantos
Pois enquanto sangram as rosas
Nessa longa secura de morte
Tu serás a dor que me sangra
A  alma nos lençóis de linho
No prazer do fogo renascido 

Isabel Morais Ribeiro Fonseca 



sábado, 10 de março de 2018

🌸RASGO O CÉU 💕


RASGO O CÉU

Rasgo o céu entre os lençóis
No corpo dorido de versos
Proibidos de prazer em mil
Poemas que o vento tenta levar
Rasgo de amor os momentos
Das carícias suspiradas
Sobre os íntimos lençóis
Sinto os teus beijos molhados
Desajeitados no meu corpo aveludado
Sou o que escrevo, o que sentes em ler-me
Nas saudades que sinto de ti.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca



quinta-feira, 1 de março de 2018

🌹NESTA NOITE DE INSÓNIA⭐


NESTA NOITE

Nesta noite de insónia tento escrever
Mas não consigo será desatino ou não
Ânsia que me aflige nas memórias
De um passado tão presente
Onde habitam os meus fantasmas
Embriago-me nesta solidão nostálgica
Perco-me em sussurros na vastidão da mente
Regresso ao silêncio das manhãs eternas
Rasga as rochas enfurecidas pelos ventos
Atravesso montanhas, serras em fúria 
Mergulho as dores nas geladas águas deste mar
Sonho os retalhos da solidão do tempo
Das saudades dos intensos momentos vividos
Na mais profunda ilusão desta noite de insónia.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

domingo, 25 de fevereiro de 2018

🌹_PERCORRO AS AREIAS_ღ 🌹



PERCORRO AS AREIAS

Percorro as areias do deserto
Flagelando no meu peito as dores
Da minha alma, se tiver que sofrer, sofro
É na demência que encontro a salvação
Talvez a sanidade que tanto procuro 
Já não sei quem sou, que angústia
Que sinto, que dor, que sofrer atroz
Este, que me engole viva, meu Deus
Que me enlouquece e me leva a chamar-te
As areias secam-me a garganta 
Tolhendo-me a voz, que desespero
Que inferno este onde a besta sacia 
A sua devoradora fome, comendo-me a carne
Do meu corpo fatigado pelo deserto
Ensombrando-me a alma já tão fatigada
Que se encontra que aflição esta    
Que amarga me encontro, neste meu desespero
Sinto esta dor que me rasga a alma
Que me devora a mente, sinto enlouquecer
Devagar como se o não houvesse tempo 
Como se o meu corpo tivesse parado no inferno
Flagelando-me a carne, sem dó ou piedade.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca



Rio Sabor 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

🦋PERDI-ME DENTRO DE MIM 🌷


PERDI-ME DENTRO DE MIM

Perdi-me dentro de mim
Num labirinto de guilhotinas
Pelos caminhos já doentios
Nos corredores de roxidão
Onde as fragas resvalam
Em procissão de mordidos
Sentimentos, na revolta
Que sinto na alma entre
Os crepúsculos que sangram
O meu corpo doente, luto
Com a ferocidade do que sinto
Mas ferem-me os olhos de lágrimas
Num turbilhão de gumes afiados
Sangram-me os sentidos que desce
A minha pobre alma com pavor
Como se de uma droga se tratasse
Talvez o ópio do inferno
Ou ainda morfina para esquecer
As dores que sinto no corpo
Já que a alma chora de tão pura
Que se encontra, maldita droga
Esta que me faz andar nos calabouços
Do inferno onde me encontro
Grito mas o meu grito, ninguém o ouve
Perdi-me dentro de mim próprio
E agora quem me salva
Ou será que quero ser salvo, já não sei
Sei que sou alguém perdido num labirinto
De afiadas guilhotinas no inferno.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

ESTALAGEM NOSSA SENHORA DAS NEVES
ALFÂNDEGA DA FÉ.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

🌺QUE A VIDA SEJA DE SEDA💖

 

VIDA

Que a vida
Seja sempre
De seda
Cetim
Chita
Chiffon
Algodão
Lã
Veludo
Não importa
A textura
Mas sim
Que seja
Feita de retalhos
De alegria
Com a felicidade em mim.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

ღA LUZ CEGA-NOS🌺



A LUZ CEGA-NOS

A luz cega-nos a mente
De tão perdidos que nos encontramos
Perdemos os sonhos sem tentar encontrá-los
Já sabemos que morreremos sozinhos
Mas caminhamos por entre as trevas
Pois até as sombras tem receio de nos acompanhar
Somos almas solitárias à procura da libertação
De tristes palavras contraditórias como o vento
Entre a nossa dor e a nossa própria solidão
O tempo é a ironia da vida que caminha lado a lado 
Andamos por entre as sombras com as lágrimas secas
Nos olhos, vemos o que não gostaríamos de ver
No entanto cobiçamos caminhos sem luz, sem esperança
Esta é a triste realidade que nos consome cada vez mais
E nos faz novamente andar nas sombras
Pobres mortais que somos, carne podre, putrefata.
Sem sonhos, sem verdade, sem amor, egoístas sem piedade.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca