sexta-feira, 26 de junho de 2026

🌻PANTERA NEGRA EUSÉBIO 🦋


 Eusébio marcou 9 golos no Mundial de Inglaterra de 1966, um feito extraordinário alcançado numa única edição da competição. Por isso, é discutível afirmar simplesmente que Cristiano Ronaldo "bateu o recorde de Eusébio".

Cristiano Ronaldo atingiu um número superior de golos no total de Campeonatos do Mundo, mas para isso participou em seis edições diferentes do torneio. São conquistas distintas e que devem ser analisadas no seu devido contexto.

Eusébio destacou-se pela impressionante marca de 9 golos num único Mundial, enquanto Cristiano Ronaldo construiu os seus números ao longo de uma carreira muito mais longa, distribuída por várias participações. Comparar diretamente estes registos sem esta contextualização pode ser injusto para o mérito de ambos.

Na minha opinião, o recorde de Eusébio só poderá ser verdadeiramente ultrapassado quando alguém marcar 10 golos numa única edição do Campeonato do Mundo. Enquanto isso não acontecer, a marca de 9 golos continua a pertencer a Eusébio, o eterno "Pantera Negra", e permanece como um dos maiores feitos da história do futebol português.

Por isso do ponto de vista estatístico, o recorde de mais golos por um português em Mundiais (somando todas as edições) pertence atualmente a Cristiano Ronaldo, enquanto a melhor marca de um português numa única edição continua a ser a de Eusébio em 1966. São recordes diferentes.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


🌷DEPRESSÃO 🌹


A depressão anda pela casa, como se fosse dona dela. Entra sem bater à porta, instala-se no sofá, deita-se na cama, e ocupa cada canto em silêncio. Mexe em tudo, como se ele pertencesse cada divisão, cada objeto, cada pedaço de mim.

Senta-se à mesa sem ser convidada, e rouba o sabor dos dias. Fecha as janelas à luz, cobre os espelhos com as sombras, e transforma o que antes era um abrigo num lugar estranho. Está presente de manhã, quando abre os olhos, e continua ali à noite, quando procura descanso.

Caminha pelos corredores com uma confiança cruel, como se tivesse a escritura da casa e do coração. Faz-se ouvir no silêncio, faz-se sentir na ausência de vontade, no peso dos passos, no cansaço da alma.

Mas, por mais que ela se comporte como dona de tudo, a verdade é outra. Esta casa não lhe pertence. Nem o sofá, nem a cama, nem os sonhos que ela tenta esconder. A depressão pode ocupar espaço, pode fazer barulho dentro do silêncio, pode até me convencer por momentos de que venceu.

Mas eu continuo aqui. E enquanto houver um sopro de esperança, uma fresta de luz a entrar pela janela, uma mão contínua ou um motivo para me levantar mais uma vez, ela será apenas uma visita indesejada. Porque a minha vida, a minha casa, e o meu coração, têm um dono legítimo, uma força que ainda resiste dentro de mim, mesmo nos dias em que quase não a consigo encontrar. 

Texto de Isabel Morais Ribeiro Fonseca