segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

ღPAUSA DE VERBOS🌹


PAUSA DE VERBOS

I
Não nego que me entrego sempre
Que cheguei ao ponto do insano
Procuro refúgio nas ondas do mar
E é na loucura que no mar navego

Se o tempo insiste em levar-me
Perdi-me intoxicado na dura vida
Mergulho no vento, pó sem horas
Cada dia é estranho, já sinto na pele

II
Os meus medos costumam voar
Só queria ser, um poeta irreverente
Eu entrego-me, mas nunca me nego
Num sensível sorriso já permanente

Já que algumas vezes ele quis ficar
Mas o amor morre nos meus versos
Sem tecer uma única palavra minha
Sento-me descalça na calma varanda

III
De uma outra linguagem da nostalgia
Em vez de ir, quero ver tudo a passar
Ocorre-me, então, com alguma certeza
Não é uma questão de palavras soltas

Antes de fechar as noites vazias no mar
Desfaço no meu peito, fragmenta tarde
Onde tropeço com minhas asas violeta
A passear, meia-noite numa pausa verbos.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

🌹É A LUZ DO SOL❤

É A LUZ DO SOL

Como na manhã que brilha a luz solar
Ao amanhecer eu te darei a minha vida
Onde de luto esta o meu pobre coração
Deixei as minhas flores num túmulo roxo

De olhos abertos, no limiar do teu desejo
Eu sou a escrava, dos meus sofrimentos
De lágrimas nos olhos do esquecimento
Na sepultura do desejo, rasgo a mortalha

Como uma lâmpada acesa de óleo reflexos
Brasas de raízes, oliveira de madeira verde
De pérolas, do mar de uma viagem longa
Luz sol quente de ti, de mim, a cada manhã.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

✿ღÉ A SOLIDÃO🌹


É A SOLIDÃO

A solidão é ouvir o ranger dos dentes
No próprio sangue entre a carne crua
É ouvir o som quente a correr nas veias

A solidão é sentir o vento no rosto
O seu perfume no ar acariciar a pele
Como se o ópio penetra-se no corpo

A solidão é sentir a carne já devoluta
Num deserto sem pudor, rasgar a pele
Sem, sem nome, sem carne, sem sangue

É a solidão que toma emprestado o corpo.


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

🌷ÁGUAS TÉPIDAS 🌹


ÁGUAS TÉPIDAS  
 
Nas tépidas águas onde nasce a canção 
Vozes roucas de névoas em segredo 
Terra seca que espera um só degredo 
No sono, sonho ciprestes já impostos 

 

Desperta aquilo que em si já se preste 
Espanto castigado de mágoa endecha 
Queixa de um silêncio em letras tardias 
Dias, noites de tardes nocturnas sem fim 

 

Ilibado esquecido utopia do desesperado 
Néscio sem porto no horto já esquecido 
Desconforto desvão de ilusão na quimera 
Sombra que espanta a dor que se embala 

 

Noite espessa, espasmo que bate no vento 
Aquilhado que passa, rompe o forte embate 
No cravo de uma canção feitas pelas ondas 
Do mar de vozes roucas, empatia assassina  

 

domingo, 20 de dezembro de 2015

🌹ERGÁSTULO SOMBRA ❤


ERGÁSTULO

Ergástulo sombra, desta escura vida
Uma prisão solitária, onde nada mais
Posso, fazer se não chorar, chorar e
Nas lágrimas vertidas peço o perdão

De todos aqueles que em vida, não pude
Mas que também nunca quis, quis amar
Ó rude este caminho de fragas no monte
Que levam as águas turbulentas para o mar

Calabouço na alma presa entre as grades
Liberdade mortal para um pobre imortal
Rasga a carne entre os grilhões de mudos
Dentes, almas presas, abandonada prisão

Masmorra fria, labirinto perdido de sombras
Carcereiro de rosto atroz, silêncios solitários
Aprisionando amordaçado de correntes no chão
Cárcere de amargura, chave na imensa solidão


domingo, 13 de dezembro de 2015

🌹MENTE AGRESTE❤


MENTE AGRESTE

Serei uma sombra na penumbra
Do meu próprio sentir magoado
Espectro fugitivo da minha alma
Sadicamente me pune de solidão

Trevas que arrastam-me entre a lama
Na escuridão do meu corpo ferido
Destruidor de ilusões nos sonhos
Na louca loucura da demência já sã

Crepúsculo renegado que me castiga
Envenena o amor que sinto pela vida
Que dor é esta, que me afoga e mata
Atrozmente no agreste da minha mente.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

🌹ANJO DE LETRAS❤


ANJO DE LETRAS

Deslizam das minhas mãos as palavras
De todas as cores os meus próprios silêncios
Do sol as letras que se escondem das sombras
Conto os dias, as noites na ponta dos meus dedos

Da nudez solta ao vento por intensos egos
Pinto a minha doce saudade em amargas lágrimas
No tempo que se esquece num corpo queimado
Entre as cicatrizes marcadas cheias de emoções

Nas papoilas entre os dedos de uma mera calçada
Só tu estás impregnado em mim, cheiro-te em mim
Sabes-me na saliva que te liberto só de te escrever
Tu és um anjo que velas por mim - fazes-me tua

No amor que fala em suaves pautas, na ternura
Em belas melodias, entre o desejo em forma de canção
Toco na tu pele com as pontas dos dedos
Ancoro os meus lábios nos teus meu anjo de letras.